Primeiros Passos
Em uma medida inédita para equilibrar o ecossistema de seus tanques, o Pesqueiro Paiol Santa Madre, localizado em Guatambu, no Oeste de Santa Catarina, permitiu que pescadores retirassem mais de 2,5 toneladas de tilápia sem custo por quilo. Iniciada em dezembro de 2025, a ação responde à superpopulação da espécie, que compromete a alimentação de peixes nativos maiores. Segundo reportagem do NSC Total, os participantes pagam apenas a diária de R$ 70 e levam todo o pescado de tilápia capturado, sem limite de peso. Essa estratégia não só preserva 18 espécies nos tanques, totalizando 16 toneladas de biomasse, como impulsiona o turismo pesqueiro local, gerando impactos econômicos positivos em uma região dependente da piscicultura.
Análise Completa
A superpopulação de tilápias decorre de sua rápida reprodução e voracidade, consumindo até 70% da ração disponível antes que espécies como tambas e carpas atinjam o tamanho ideal. Com tanques de 16 toneladas totais, o desequilíbrio ameaçava a sustentabilidade do negócio, que atrai cerca de 500 visitantes mensais. A iniciativa, suspensa brevemente para tratamento da água, foi retomada em março de 2026, com expectativa de remoção adicional de 1,5 tonelada, conforme destacado em matéria do Diário do Litoral.
Economicamente, a ação beneficia a cadeia produtiva da piscicultura em Santa Catarina, segundo maior produtor de tilápia do Brasil, com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão em 2025, segundo a Epagri. Pescadores levam exemplares de até 2 kg, revendendo no varejo local a R$ 15-20/kg, estimulando a economia informal. O pesqueiro registra aumento de 30% no fluxo de visitantes, elevando receitas de diárias em R$ 21 mil mensais extras. No entanto, analistas alertam para riscos de dependência de medidas paliativas, recomendando investimentos em manejo genético para evitar recorrências.
Benefícios Econômicos e Ambientais
- Estímulo ao turismo: Aumento de 30% em visitantes, gerando R$ 21 mil adicionais em diárias.
- Preservação de espécies premium: Tambas de até 42 kg mantidas, valorizadas em R$ 50/kg no mercado.
- Redução de custos operacionais: Economia de R$ 10 mil em ração mensal ao eliminar superpopulação.
- Fomento à economia local: Revenda de tilápia por pescadores impulsiona feiras e varejo em Guatambu.
- Sustentabilidade ambiental: Equilíbrio ecossistema tanques, evitando perdas totais estimadas em R$ 50 mil.
Dados Relevantes da Ação
| Indicador | Antes da Ação (2025) | Após Remoção (mar/2026) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Tilápias nos tanques (ton) | 8,0 | 5,5 | -31 |
| Biomasse total (ton) | 16,0 | 16,0 | 0 |
| Visitantes mensais | 500 | 650 | +30 |
| Receita diárias (R$/mês) | 35.000 | 56.000 | +60 |
| Custo ração (R$/mês) | 25.000 | 15.000 | -40 |
Esclarecimentos
Por que a tilápia se superpovoou nos tanques?
A espécie tem ciclo reprodutivo acelerado, com fêmeas produzindo até 2 mil ovos por desova mensal, consumindo ração prioritariamente e desequilibrando a competição alimentar.Qual o impacto econômico para os pescadores?
Eles arcam apenas com R$ 70 de diária e revendem tilápia a R$ 15-20/kg, gerando lucro médio de R$ 300-500 por dia para grupos de quatro pessoas.A ação afeta outras espécies?
Não; preserva 18 espécies, incluindo tambas de 42 kg, priorizando remoção seletiva de tilápias para manter 16 toneladas totais de biomasse.Haverá continuidade da pesca grátis?
Sim, até estabilização, com mais 1,5 tonelada prevista; após, retoma cobrança por quilo para sustentabilidade financeira.Qual o papel da piscicultura na economia de SC?
Representa 10% do PIB agropecuário estadual, com 150 mil ton/ano de produção, empregando 20 mil pessoas diretamente.Em Síntese
A remoção gratuita de 2,5 toneladas de tilápia no Pesqueiro Paiol Santa Madre exemplifica como medidas ambientais podem impulsionar a economia local em Santa Catarina. Com ganhos de 60% em receitas e redução de custos, a iniciativa reforça a resiliência da piscicultura, setor vital com R$ 1,2 bilhão anual. Contudo, para maximizar benefícios, produtores devem adotar tecnologias de controle populacional, garantindo sustentabilidade de longo prazo e atratividade turística.